O Projeto Humano já era uma semente há muito anos. Foi nascendo, a partir de uma voz que não se calava dentro da minha cabeça. A clareza final que faltava para dar vida a este movimento manifestou-se quando a minha história e a da minha família se juntaram.
Em Abril de Maio de 2024, pouco depois de ler a obra do meu avô, O Riso de Deus [O Riso de Deus, António Alçada Baptista 19**] deparei-me com um podcast da RTP em memória dos 50 anos do 25 de Abril. Nele, ouvi a voz gravada do meu avô partilhar palavras que ecoaram diretamente na inquietação que carreguei a vida inteira: – inserir audio?
No mês anterior tinha lido o livro. Agora ouvia a voz. Chorei. Não por ser um conceito novo, mas pelo reconhecimento profundo de que aquela verdade já habitava em mim. Eu sou só a continuação de quem veio antes de mim. Percebi que gerações anteriores tiveram de viver condicionados a essa suposta normalidade para que hoje nós tivéssemos a oportunidade e a segurança básica de questionar a vida e exigir algo mais profundo.
“Às vezes julgo que sou uma espécie de cobaia do futuro e que, irremediavelmente, faço parte daqueles que andam a ensaiar outro modo de tocarmos o mundo. Vejo, e não quero fingir que não vejo, que as pessoas andam muito magoadas a viver o que vivem. (…) Quem pressente que não foi para isto que nascemos não pode conformar-se, tem de tentar descobrir outra vida e dizer ao outro como é.”
O Projeto Humano é um movimento que responde a esse convite. É o espaço que criei para não conformar, para deixar de fingir que não vejo a dor e o cansaço de vivermos desconectados de quem somos. É um convite para despirmos as máscaras do ego, descermos da cabeça ao corpo e ensaiarmos, juntos, esse outro modo de tocarmos o mundo através da autocompaixão e da aceitação radical.
O Projeto Humano é hoje
um movimento cuja missão é devolver-te a capacidade de sentir.
É um convite para usar a Vida e o desconforto que se apresenta na forma de emoções, como bússola e como mapa para nos levar a uma aceitação cada vez maior da nossa realidade e da realidade à nossa volta. Não um estado onde nos resignamos, mas um estado de aceitação tão radical por nós que não nos conformamos com o Mundo à nossa volta.
No Projeto Humano vemos a Vida como uma escola. Uma escola onde não estamos a tentar domar ou a corrigir, nem a tentar ser “melhor”. Uma escola onde aprendemos a aceitar quem somos. Aqui criamos espaço para que a luta interna cesse, aceitando a informação que as nossas emoções nos trazem, cessando assim a luta com o exterior, com o Outro e com a nossa casa: o planeta.
A minha visão é a de um Mundo onde Aceitamos a Nossa Realidade E a Realidade do Outro.
Numa perspectiva evolutiva do ser humano dividida em 3 fases de desenvolvimento:
A Dimensão do Eu
Focado no desenvolvimento da auto-consciência física (através dos cinco sentidos e da interocepção), no diálogo interno e na auto-compaixão. Aborda o corpo físico, a regulação do sistema nervoso e o desbloqueio do "congelamento emocional" — situações onde as experiências do passado ficaram incompletas na biologia. O objetivo é habitar o corpo e acolher as emoções difíceis ou excluídas.
A Dimensão do Nós
Muda o foco para as dinâmicas relacionais, a interdependência e a ancestralidade. Explora os limites saudáveis na ligação com o outro (amor sem anulação), os emaranhamentos familiares, o trauma transgeracional e a forma como as relações atuam como espelhos através de "gatilhos" e "faíscas" energéticas. Defende que, se a maioria das feridas é criada em relação, o processo de cura também deve ser relacional.
A Dimensão do Mundo
Olha para o ser humano e para o planeta como um sistema interconectado e unificado. Aborda o inconsciente coletivo, o trauma de massas, a inteligência natural e a ecologia profunda (a perceção de que não somos separados da natureza). A premissa central é que a regeneração e harmonia individuais diminuem a polarização do organismo coletivo da humanidade.
A partir de 5 Valores Guias
O movimento equilibra-se na tensão dinâmica de cinco eixos fundamentais
Presença & Movimento
Sentir e ouvir o corpo sem congelar. Agir e responder sem que o movimento seja uma fuga.
Consciência & Corpo
Unir a capacidade mental de dar nome às feridas com a libertação somática da armadura física.
Compaixão & Limites
Sentir a dor do outro sem que isso resulte em autoabandono ou dissolução pessoal.
Aceitação & Transformação
Olhar para a sombra de frente e sem julgamento. Só o que aceitamos conseguimos efetivamente transformar.
Individualidade & Humanidade
Acolher a própria individualidade para que se torne uma ponte real de empatia para com o coletivo.
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